Mudanças na Zona Azul espantam motoristas e deixam vagas vazias no Centro de Vitória da Conquista

As mudanças no sistema da Zona Azul têm espantado os motoristas do Centro de Vitória da Conquista. O reflexo já é visível nas ruas: vagas que antes eram disputadas agora aparecem desocupadas com mais frequência, inclusive aos sábados, quando tradicionalmente era difícil encontrar espaço para estacionar.

A situação ganhou destaque em reportagem exibida pela TV Sudoeste, que mostrou o esvaziamento de áreas centrais e contou com personagens que vivenciam os impactos do novo modelo, como trabalhadores e motoristas prejudicados pela mudança no sistema de cobrança do estacionamento rotativo.

Em um sábado pela manhã, período de grande movimento no comércio, a reportagem mostrou vagas livres em locais como a Praça Tancredo Neves. Quem depende diretamente do fluxo de veículos relata prejuízos. O lavador de carros Danilo Novaes afirmou, durante a entrevista, que o movimento caiu drasticamente após as mudanças na Zona Azul. “Nem carro tá tendo, tá arrancado todo mundo. Não só pra mim, pro comércio também, por causa da mudança da Zona Azul”, disse.

Após o fim do período de adaptação, encerrado em 31 de dezembro, o sistema da Zona Azul Digital passou a ser cobrado integralmente. Ao todo, são cerca de 1.700 vagas, concentradas principalmente no centro da cidade. A operação funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados, das 8h às 13h, com exceção da área da Ceasa. Para utilizar as vagas, os motoristas precisam fazer o pagamento de forma digital, por aplicativo ou site, além da opção de compra com monitores autorizados. A hora custa R$ 3,00 para carros e R$ 1,50 para motos, mas o que mais tem gerado reclamações é a Taxa de Pós-Utilização (TPU).

Outro personagem ouvido na reportagem foi o motorista Ivo, notificado no dia 15 de janeiro, que relatou passo a passo a situação que resultou na cobrança da Taxa de Pós-Utilização.“O que aconteceu comigo foi o seguinte: eu parei na vaga, chamei o agente da Zoom, ele me explicou como é que funciona, eu paguei, botei o crédito, baixei o aplicativo e ativei uma hora pelo aplicativo. Saí, fui na Prefeitura resolver o que tinha para resolver e voltei dentro do tempo limite. Quando cheguei no carro, parei para anotar algumas coisas na agenda. Nesse momento, o agente chegou, colocou um panfleto explicando e ativou aqueles 20 minutos que a gente tem para receber a mensagem no celular e ativar novamente, para não tomar a multa de R$ 60,00”, contou.

Segundo Ivo, o problema foi a falta de informação no momento da abordagem.“Infelizmente, quando ele colocou o panfleto no carro, eu desci, peguei o papel e coloquei dentro do veículo, e ele não me explicou que o meu tempo já tinha excedido. Eu fui para casa, vi que o celular estava vibrando no bolso, mas não pude atender porque estava dirigindo. Quando cheguei em casa e abri a mensagem, já estava lá a multa de R$ 60,00”, relatou.

Para ele, o sistema precisa ser revisto. Ivo afirmou que tentou recorrer, mas acabou pagando o valor para evitar que a cobrança fosse convertida em multa de trânsito. “Poderia o sistema funcionar de outra forma. Poderia já descontar automaticamente para você não tomar essa multa de R$ 60,00, que é um valor absurdo”, criticou.

Em nota, a Prefeitura de Vitória da Conquista afirmou que o objetivo da Zona Azul Digital é promover a rotatividade das vagas e democratizar o uso do espaço público. Informou ainda que serão instalados pontos fixos de atendimento e que haverá a opção de tags eletrônicas, que permitirão a ativação do sistema sem a necessidade do aplicativo.

Enquanto isso, o cenário no centro da cidade segue chamando atenção: menos carros, mais vagas vazias e comerciantes apreensivos, em um debate que continua crescendo e sendo acompanhado de perto pelo Blog do Sena.

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